Brasil Política

Gabinete de Jucá enviou para Odebrecht rascunhos de MP antes de Senado analisar o texto

Para a PGR, e-mails ‘corroboram’ acusação corrupção e lavagem de dinheiro contra o senador. Funcionária que enviou e-mail ocupa cargo de confiança no Palácio do Planalto desde 2016.

Por Marcelo Parreira e Andréia Sadi.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anexar e-mails apresentados por delatores da construtora Odebrecht a uma ação em que o presidente nacional do MDB e senador Romero Jucá (RR) é réu na Lava Jato. Um dos e-mails anexados pela PGR mostra que Mariângela Fialek, à época em que trabalhava como assessora do gabinete de Jucá, enviou à empreiteira, em 2014, rascunhos de um texto legislativo que estava em discussão, antes mesmo que fosse apresentado aos senadores.

A funcionária do gabinete do senador do MDB que enviou o e-mail para a Odebrecht atua, desde maio de 2016, como subchefe de assuntos parlamentares da Secretaria de Governo da Presidência da República.

As mensagens foram enviadas à construtora no segundo semestre de 2014, quando o Congresso Nacional discutia a medida provisória 651. As informações originais deste caso constam na delação de executivos e ex-dirigente da Odebrecht homologada no ano passado pelo Supremo.

Segundo o Ministério Público, o conteúdo do e-mail tratava de alterações em um parecer elaborado para a medida provisória que interessava à empreiteira e que foi discutida entre os executivos da Odebrecht e o senador do MDB. E-mails trocados por dirigentes da construtora também apontaramm Jucá como articulador no Congresso Nacional de mudanças que beneficiariam a empresa.

A Procuradoria-Geral da República avalia que a atuação de Jucá no caso estava vinculada a uma doação de R$ 150 mil feita pela empresa para a campanha eleitoral do filho do parlamentar de Roraima em 2014.

Procurada pelo blog, a assessoria de Jucá disse que o senador reitera que, mais uma vez, “tentam envolver seu nome em um esquema que está sendo propagado por dois delatores que não apresentam nada além de e-mails trocados entre eles”.

Ao blog, Mariângela afirmou que “todas as instituições, empresas, sindicatos e representantes da sociedade civil apresentam suas sugestões ao senadores e lideranças por meio de e-mail à assessoria legislativa, como forma inclusive de manter a transparência e atos registrados”.

Denunciado pela PGR por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Jucá se tornou réu em março deste ano por conta desta acusação.

O e-mail enviado pelo gabinete do senador do MDB é parte de um material que foi entregue em abril deste ano pelo empresário Marcelo Odebrecht para complementar as delações dos funcionários da empreiteira.

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